Vacina contra HPV- Cancêr do Colo do Útero para Homens e Mulheres

Edição do dia 08/01/2013

08/01/2013 21h11 - Atualizado em 08/01/2013 21h11

Estudo mostra aumento de cânceres ligados ao vírus HPV nos EUA

Um exemplo de cancêr causado pelo HPV é o do colo de útero, que mata quase cinco mil mulheres por ano no Brasil.

Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra um aumento preocupante nos tipos de câncer ligados a um vírus, como o do colo de útero, que mata quase cinco mil mulheres por ano no Brasil. Para os médicos americanos, é a epidemia do século XXI.

O vírus HPV já é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, alerta o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. O vírus é mais conhecido por provocar a doença no colo de útero, que mata anualmente quatro mil americanas. No Brasil, foram quase cinco mil em 2010.

O HPV está se tornando um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento do câncer na garganta, amígdalas e língua. O uso de preservativos reduz o risco de contaminação, mas os médicos americanos ressaltam a importância da vacinação.

Há cerca de 200 tipos de HPV. A maioria das infecções é causada por apenas quatro deles, que podem ser prevenidos com a vacina quadrivalente. Testes provaram que ela é eficiente contra 70% dos casos de câncer do colo de útero e 90% das verrugas genitais, e que pode trazer bons resultados também para evitar os cânceres orais. A vacina deve ser tomada antes mesmo da iniciação sexual, e é indicada para mulheres entre 9 e 26 anos.

Nos Estados Unidos, a vacina também é recomendada para os homens. Cada dose custa o equivalente a R$ 270. A maioria dos planos privados de assistência médica cobre os custos da vacina contra o HPV. Programas públicos de saúde oferecem a vacina de graça para quem não pode pagar.

Ainda assim, apenas 32% das mulheres em idade de receber a vacina tomaram as três doses. Na Austrália e no Reino Unido, essa taxa passa de 70%. No Brasil, não há estatísticas. A dose da vacina sai em torno de R$ 300. Os planos de saúde no país não cobrem o custo e não há programa público de vacinação contra o HPV.

Em São Paulo, o doutor Luiz Paulo Kowalski, diretor do Hospital A. C. Camargo, reforça a importância da vacinação, principalmente entre os jovens.

“Vamos prevenir uma doença que vai ter um alto custo de tratamento daqui a 20 anos. O custo alto da vacina hoje é infinitamente menor do que será o custo para o sistema de saúde futuramente", afirma Luiz Paulo Kowalski.

Segundo o Ministério da Saúde, o uso da vacina no Programa Nacional de Imunizações está em estudo. Para o ministério, ainda é preciso avaliar a efetividade da vacina.

 

O que é  HPV?

Muitas pessoas já ouviram falar, porém poucas sabem descrever o que é a doença, seus sintomas e suas consequências. O HPV  (papilomavírus humano) é um vírus silencioso na maioria das vezes. Muitos destes são eliminados sem sequer a pessoa se dar conta que teve contato.

Existem mais de 100 tipos de HPV e destes, aproximadamente, 30 tipos vão afetar homens e mulheres. Essa doença  é o principal causador de câncer de colo de útero e também está ligado a tumores de pênis, ânus, boca e garganta.  Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada ano, 500 mil mulheres em todo mundo sofrem de câncer de colo do útero e pelo menos 250 mil acabam morrendo.

No Brasil, a doença é a segunda maior causa por morte de câncer entre as mulheres, atrás apenas do câncer de mama, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

 

26/05/2011 - 11h04

Anvisa aprova vacina de HPV para homens

 

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a aplicação da vacina contra HPV (papilomavírus humano) em meninos e homens entre 9 e 26 anos.

Câncer de boca causado por sexo oral avança no Brasil

A imunização previne as verrugas genitais causadas, principalmente, pelos tipos 6 e 11 do vírus. A vacina, conhecida como Gardasil (Merck Sharp & Dohme), está liberada para os homens nos EUA desde 2009.

No Brasil, ela foi aprovada para mulheres em 2008, mas só está disponível na rede privada, ao custo de R$ 900.

Para liberar a imunização masculina, a Anvisa se baseou em um estudo publicado no "New England Journal of Medicine", que comprova a redução de 90% das lesões genitais externas.

O estudo clínico, que acompanhou 4.065 homens em 18 países, inclusive o Brasil, comprovou a eficácia da vacina contra lesões ligadas aos tipos 6,11, 16 e 18 do HPV.

O tipo 16 é o que tem levado ao aumento dos tumores de boca e da região da garganta (orofaringe) no Brasil, conforme revelou a Folha ontem. Em hospitais brasileiros, até 80% desses cânceres estão associados ao HPV


PROTEÇÃO

Segundo a pesquisadora Luisa Villa Lina, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e uma das maiores especialistas em HPV no país, além das verrugas genitais, espera-se que a vacina proteja os homens contra tumores de pênis, ânus e orofaringe.

A infecção pelo papilomavírus está ligada a cerca de 40% dos casos de câncer de pênis e de 30% a 40% dos de câncer anal em homens.

Segundo Lina, o ideal é que, assim como as meninas, os garotos sejam vacinados antes do início da vida sexual. No Brasil, pesquisas indicam que isso acontece aos 13 anos, no caso dos homens, e aos 15, para as mulheres.

Mas a pesquisadora acredita que, mesmo que já tenham sido expostos ao HPV, homens e mulheres podem ser beneficiados, porque a vacina evita novas infecções e reduz o risco de câncer.

O pesquisador da USP Adhemar Longatto Filho afirma que a aprovação da vacina para homens vai trazer "um benefício tremendo". "O homem é o principal vetor de muitas das lesões causadas pelo HPV. É crucial que ele seja vacinado."

CONTÁGIO

É comum o HPV permanecer no organismo sem qualquer sintoma por meses ou anos. Os cânceres, por exemplo, podem demorar de dez a 20 anos para se desenvolver.

O risco de contágio é alto (de até 80%), e o vírus pode ser passado mesmo latente (sem manifestação visível).

A maioria dos tipos de HPV não causa sintoma e desaparece espontaneamente sem tratamento, o que significa que muitas pessoas não sabem que são portadoras.

Um estudo recente mostrou, por exemplo, que 50% dos homens saudáveis já foram infectados pelo HPV. A vacina contra o papilomavírus é administrada em três doses, com aplicação intramuscular.

 
 

 

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